Essa é minha casa! E sua também.

Comente que eu fico contente

28 de março de 2011

PoSt ChAtO

 
. Tem coisas que a gente não escolhe, vêm de presente no DNA. E não é apenas o tipo do cabelo ou a cor dos olhos, porque esse papo de herança genética pode ir mais longe do a gente pensa. Eu tenho certeza de que minha loquacidade (ui, rebusquei!) é coisa dos ancestrais. Mas é claro que tudo só acontece assim, naturalmente, com a ajuda de argumentos que eu não faço idéia de onde vêm. O que sei é que eles aparecem na hora certa e já me livraram em situações diversas; do pré-escolar à semana passada. Assim, eu, vendedor que sou, passo facilmente por intelectual/sabe tudo/estudioso-que-fala-bem, sabendo muito menos do que você imagina. Na verdade, parte do show não passa de um tagarela que aprendeu a persuadir, não se deixe enganar. Outra característica dessa pessoa que vos fala é a curiosidade. Pra você ter uma idéia, eu sou do tipo que lê coisas tão estranhas quanto bula de remédios que eu não tomo, rótulos de produtos diversos, composição química, etc. Aliás, tudo que eu leio é por pura bisbilhotice, e não porque gosto de estudar. Pra reunir informação ainda não inventaram nada melhor que leitura.

. Aprender e esquecer sempre foram coisas muito fáceis pra mim, eu diria instantâneas, principalmente quando se trata de datas. Numa discussão, por exemplo, eu nem sempre me lembro de “quem”, “onde” e o “porquê”, mas o maldito “quando” é sempre um problema, afinal eu tenho os álibis e os argumentos, mas nunca as provas. Funciona assim: meu cérebro ao avesso tem uma pasta onde eu armazeno em tempo recorde tudo que preciso (ou que eu acho que preciso), mas essa pasta é temporária e, por isso a minha amnésia. Então a gente aprende e reaprende conforme a necessidade. Ou não. Meu maior desacerto é ser adaptável, do verbo: talentoso quando quero impressionar a plateia, mas especialista em coisa nenhuma. E no frigir dos ovos, isso é um ponto nevrálgico da minha vida profissional. Em pensar que as pessoas juram que eu sou analista... não sabem o risco que estão correndo ao me pedirem conselho, hahaha! Outro fato é que eu nunca me dei bem com as exatas. Isso porque eu divago o bastante pra encontrar duas respostas certas em situações que só admitem uma única conclusão. Meu raciocínio é tão lógico, mas tão lógico que nem a matemática entende, entendeu?

. Estou trabalhando num lugar onde o meu cargo é o que eu poderia chamar de... hmmm... “o cocô do cavalo do bandido anônimo, que morreu na primeira cena do filme”. Ta bom, cara pálida, isso foi péssimo mas, ilustrando fica fácil de entender. Não é inédito o fato de que no mundo profissional alguém seja valorizado conforme o que faz ou por quanto ganha, mesmo que esse alguém seja uma ameba dentro de um terno italiano. Sua função é que determina a sua capacidade, seu cargo determina seu prestígio, e seu “carisma” determina... deixa pra lá. Mas isso nunca foi legítimo, pois há muitas pessoas extremamente capazes que não tiveram algumas oportunidades de ouro ou certos privilégios. O que não significa, é claro, que os que ascenderam economicamente são preguiçosos com sorte na vida. Relaxa, aqui não há espaço pra generalizações idiotas. Conheço/trabalho/trabalhei com muita gente cujo sobrenome é competência; alguns, até hoje, não têm o valor que merecem. Adoraria, me faz muita falta, mas ainda não tenho nível superior - um termo que, aliás, funciona muito diferente no meu conceito. É melhor que eu não explique, não hoje. Ando preocupado com a vida profissional, e muito me aborrece ver os pseudo-intelecto-profissionais (sim, eles existem - aos montes.) ostentando um título que na prática não lhes cabe.

. Você pode achar uma estupidez da minha parte, mas outro troço que não entra na minha cabeça é essa história de Processo “Seletivo” Público: esses meios de arrecadação do tipo ENEM, vestibular, concurso público, CADASTRO DE RESERVA hahaha, etc... é a mentira mais eficiente adotada por um país subdesenvolvido por natureza pra conter a explosão demográfica no mercado de trabalho: Muita gente X Pouca vaga = Uma malha fina com nome bonitinho. Provas que não selecionam coisa nenhuma ou medem o verdadeiro potencial de alguém, mas servem muito bem pra encher os cofres públicos, que não patrocinam a educação para o desenvolvimento social e econômico do país, viu como é fácil? Me dá coceira todas as vezes que eu ouço falar sobre cotas pra negros e carentes. O problema está nas bases se é que existem da educação, e não na etnia de alguém. Bom, e carência é um outro assunto que, desculpe, não se resolve através de cotas e meros paliativos... mas a responsabilidade, lógico, é dos desinteressados que foram submetidos a um ensino médio sofrível, por isso não estão aptos a uma vaga na Universidade Federal e, blablablá... ah, vai ver se eu to na esquina! Por essa razão, eu admiro quem apesar das dificuldades conseguiu -- um pouco mais tarde, fato -- chegar lá. Mas também não saio por aí pondo uma faca no pescoço do mundo, apedrejando gratuitamente os que nasceram em condições favoráveis e puderam dedicar-se aos estudos sem a obrigação simultânea de pagar as contas e manter a despensa cheia. Não é feio morar bem, comer bem e vestir bem. Ter dinheiro não é e nunca foi pecado. Só que nem todos que vieram de condições precárias são, necessariamente, indigentes sem perfil profissional. Bem, é isso. Não é difícil, não é complicado. Eu acho até que a coisa pode funcionar direito, mas está mal organizada, entende?

. Em função de planos pro futuro estou em busca de um emprego que me remunere decentemente, mas eu descobri que não tenho talento pra correr atrás de dinheiro, não acho que seja por aí. Dinheiro é bom pra ser usado, e não o contrário. O que importa é fazer o que gosto e ter prazer no que faço. Isso, sim, não tem preço. Por outro lado, um bom salário me traria as oportunidades de que preciso pra chegar aonde quero. Já ouvi de tudo: "você é psicólogo? publicitário?" Piores que as perguntas, são as minhas respostas. Falta de patrocínio é um pobrema! Infelizmente, no mundo dos negócios, quando não se é o sobrinho querido do diretor ou a ficante boazuda do superintendente, o canudinho recheado com diploma é a maneira certa de mostrar a que viemos e mudar o quadro. Não adianta procrastinar. Então, mãos a obra! Do contrário, é contar com os subempregos que estão à disposição. Apesar da revolta, eu to tentando. Mesmo que a duras penas as coisas vão acontecer, porque fácil nunca foi mesmo. A esperança tem mais vidas do que gato. Então, é uma questão de tempo, eu sei... é que a paciência nunca foi meu forte.

Gente, como fala essa pessoa!
Pra quem dorme, boa noite.


2 comentários:

Prof Rold. disse...

Ae garoto, você é sinistro. Se tú fosses um bicho, certamente seria uma "serpente", seus botes são certeiros. rsrsrs

Pedro Rocha disse...

Uh! É isso aí.
Abraço, mano.